High Times: a história da revista de cannabis mais famosa do mundo
Equipe Editorial DabDash
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A High Times documenta a cultura cannábica desde 1974. Esta é a história real de como uma paródia única da Playboy virou a revista mais reconhecível do movimento, da Cannabis Cup à falência e ao renascimento em 2025.
O que é a High Times?
A High Times é uma revista norte-americana fundada em 1974 que se tornou a publicação mais reconhecida sobre cultura cannábica, legalização e cultivo. Começou como uma paródia de um único número da Playboy e cresceu até virar uma revista mensal com centenas de milhares de leitores, criou a competição Cannabis Cup e moldou a forma como o público falou sobre maconha por quase cinco décadas.
Quem fundou a High Times e por quê?
A High Times foi criada por Thomas King Forcade (1945 a 1978), um jornalista da imprensa alternativa e ativista da cannabis que antes havia ajudado a dirigir o Underground Press Syndicate, uma rede de jornais contraculturais. Segundo reportagem da Rolling Stone e dos biógrafos de Forcade, o primeiro número foi concebido no verão de 1974 como uma sátira pontual da Playboy que trocava sexo por maconha, com o lema "A revista da alta sociedade".
A piada funcionou. O número de estreia, com cerca de 50 páginas, esgotou a tiragem inicial e foi reimpresso, e o que devia ser uma brincadeira única virou uma publicação regular. Forcade, veterano da Força Aérea dos Estados Unidos que, segundo vários relatos, usou sua experiência em aviação para o contrabando de cannabis, financiou ele mesmo os primeiros números. Morreu em 1978, deixando fundos que beneficiaram tanto a revista quanto a Organização Nacional para a Reforma das Leis sobre a Maconha (NORML).
Quão grande a High Times chegou a ser?
A High Times cresceu rapidamente no fim dos anos 1970 e durante os anos 1980. Relatos da época e as próprias retrospectivas da revista descrevem uma tiragem que subiu para centenas de milhares de cópias por número, com o Audit Bureau of Circulations registrando cerca de 500.000 exemplares por número no fim dos anos 1980. No auge comercial, foi um dos títulos contraculturais mais conhecidos dos Estados Unidos.
A linha editorial mudou com os anos. Os primeiros números cobriam uma ampla gama de drogas recreativas, mas sob o editor Steven Hager, contratado em 1988, a revista passou a se concentrar de forma decidida na defesa da cannabis, no cultivo e na política de legalização. Esse foco definiu a marca para a geração seguinte de leitores.
O que é a Cannabis Cup da High Times?
A Cannabis Cup é uma competição e um festival criados pelo editor da High Times Steven Hager em 1988. O primeiro evento aconteceu em Amsterdã, onde os coffeeshops holandeses eram tolerados desde meados dos anos 1970, o que permitia que cultivadores, jurados e entusiastas se reunissem e provassem as amostras abertamente. É amplamente relatado que a primeira edição foi vencida pela variedade Skunk No. 1.
Por décadas a Cannabis Cup de Amsterdã foi um evento anual, geralmente realizado por volta de novembro, e mais tarde se expandiu com edições nos Estados Unidos à medida que a legalização avançava estado por estado. Em certo momento a empresa informou que os eventos da Cannabis Cup respondiam por cerca de 70 por cento de sua receita, o que tornou as dificuldades posteriores para organizá-los um problema financeiro sério.
Por que a High Times teve problemas financeiros?
No verão de 2017, a revista e sua editora de longa data, a Trans-High Corporation, foram adquiridas por um grupo de investidores liderado por Adam Levin, da Oreva Capital, em um negócio avaliado, segundo os relatos, em dezenas de milhões de dólares. Os novos donos buscaram um plano ambicioso para abrir o capital da empresa e expandir para eventos e lojas de varejo.
O plano desmoronou. Uma proposta de fusão reversa com uma empresa de aquisição de propósito específico fracassou em 2018, e uma oferta pública sob a Regulação A+ que atraiu dezenas de milhares de pequenos acionistas nunca resultou em uma listagem limpa na bolsa. Aquisições e acordos de festivais terminaram em litígio ou foram abandonados, e a empresa parou de realizar sua principal Cannabis Cup depois de 2019. Como resume o artigo da Wikipédia sobre a empresa, anos de contas não pagas, empréstimos vencidos e uma oferta problemática deixaram o negócio à beira do colapso, e Levin mais tarde se declarou culpado de uma acusação federal ligada a um esquema de ações.
O que aconteceu com a High Times recentemente?
As dificuldades financeiras forçaram a High Times a encerrar suas operações em 2024, com o site deixando de ser atualizado regularmente e a empresa entrando em recuperação judicial. Em 2025 a marca foi vendida no âmbito da falência. Veículos do setor, incluindo a MG Magazine, relataram que Josh Kesselman, fundador da empresa de papéis para enrolar RAW, comprou a publicação e seus ativos, incluindo a Cannabis Cup, por cerca de 3,5 milhões de dólares em junho de 2025.
Sob a nova propriedade, a marca começou a se reconstruir, relançou um podcast e sinalizou planos de voltar ao impresso com edições limitadas e de colecionador. A história da High Times continua sendo uma boa forma de olhar a trajetória mais ampla da cannabis na cultura popular: de tabu clandestino a negócio convencional, com toda a turbulência legal, financeira e cultural que veio junto.
Por que a High Times importa para a cultura cannábica?
Por quase cinquenta anos a High Times foi a voz mais visível na normalização de uma planta que era ilegal em quase todo lugar quando a revista nasceu. Publicou guias de cultivo, cobriu a política de legalização, colocou a cannabis em capas coloridas e criou as competições e os rankings que os cultivadores perseguiam. Independentemente de sua sorte comercial, seu arquivo é um dos registros populares mais completos de como a cannabis passou da contracultura para o mainstream.
FAQ
Perguntas Comuns Sobre High Times: a história da revista de cannabis mais famosa do mundo
Respostas rapidas para as perguntas de acompanhamento que os leitores costumam pesquisar depois de explorar este tema.
Quando a High Times foi fundada?
A High Times foi fundada no verão de 1974 pelo jornalista da imprensa alternativa Tom Forcade. O primeiro número foi concebido como uma paródia pontual da Playboy que substituía sexo por maconha, mas esgotou e virou uma revista regular.
Quem fundou a High Times?
A High Times foi fundada por Thomas King Forcade (1945 a 1978), um jornalista contracultural e ativista da cannabis que antes havia ajudado a dirigir o Underground Press Syndicate. Ele mesmo financiou os primeiros números e morreu em 1978.
O que é a Cannabis Cup da High Times?
A Cannabis Cup é uma competição e um festival criados pelo editor da High Times Steven Hager em 1988. O primeiro evento aconteceu em Amsterdã e mais tarde se expandiu com edições nos Estados Unidos à medida que a legalização avançava. Tornou-se um dos prêmios mais reconhecidos da cannabis.
A High Times ainda está em atividade?
Sim. Após anos de problemas financeiros e um encerramento em 2024, a marca foi vendida no âmbito da falência em 2025 para Josh Kesselman, fundador da empresa de papéis RAW, por cerca de 3,5 milhões de dólares. Os novos donos sinalizaram planos de reviver a publicação e a Cannabis Cup.
Quanto a High Times valia no auge?
A tiragem chegou a cerca de 500.000 exemplares por número no fim dos anos 1980, e durante uma oferta pública em 2018 a empresa foi avaliada no papel em cerca de 340 milhões de dólares. Esses números nunca se concretizaram totalmente e a empresa acabou em falência.
Por que a High Times faliu?
Após uma venda em 2017 a um grupo de investidores, um plano ambicioso de abrir capital e expandir para lojas e eventos fracassou. Uma fusão com uma SPAC caiu, uma oferta pública nunca produziu uma listagem limpa e a empresa parou de realizar sua principal Cannabis Cup depois de 2019, ficando à beira do colapso em 2024.
Quem é o dono da High Times agora?
Desde 2025, a High Times pertence a Josh Kesselman, fundador da empresa de papéis para enrolar RAW, que comprou a revista e seus ativos, incluindo a Cannabis Cup, no âmbito da falência por cerca de 3,5 milhões de dólares.